22 novembro 2013

Não desistam!

“A música oferece à alma uma verdadeira cultura íntima e deve fazer parte da educação do povo.” – François Guizot

Hoje é o dia do músico. Dia de Santa Cecília, considerada pelo catolicismo a padroeira dos músicos.

Sempre senti que a música é uma das invenções mais notáveis da humanidade. Sem ela a existência não teria sentido. A arte da música é universal e medicinal. É uma das linguagens mais completas que existem. Ela nos provoca sensações de transcendência, prazer, evasão, alegria, tristeza... Uma linguagem potente, que serve tanto para divertir como para divergir.

A música marca nossas vidas. Pode eternizar momentos. Arrepia nossos pelos. Desde as melodias celestiais das obras de Beethoven e de Mozart, de um baixo-guitarra-bateria tocados com paixão, ou até aquelas reproduzidas nos bares. Independente do estilo. Basta nos identificarmos com ela para comprovarmos sua importância.

Quem possui o dom de expressar-se pela música é um ser privilegiado. Porque somente com eles, os músicos e musicistas, que ela é possível. Ainda assim, por tudo que nos dão, é comum serem desvalorizados. Uma classe que merece realmente ser celebrada. Sustentar-se da música é um dos trabalhos mais árduos. É preciso muita coragem e persistência.

Parabéns de coração a todos os músicos profissionais e amadores e, principalmente, aos que penam para viver da sua paixão, do seu sonho, e da esperança de um dia serem reconhecidos.

30 outubro 2013

A cena manguebeat e a influência de Chico Science para a música brasileira


A área onde a cidade de Recife foi fundada, em 1537, é cortada por seis rios. Pela sua costa ser cercada por esses cursos de águas ela ficou conhecida como “cidade estuário”. No século XVII, após a expulsão dos holandeses, a cidade passou a crescer desordenadamente e a ter seus rios e mangues aterrados. Logo os mangues, que são considerados um elo básico da cadeia alimentar marinha. Isso significa aterrar áreas enormes de desova em um ecossistema de grande diversidade de seres vivos por centímetro cúbico. Por esse problema gerado, por volta de cem anos depois de sua fundação era evidente os malefícios que traria às condições de sobrevivência na capital de Pernambuco.

Dando um salto no tempo e chegando ao começo dos anos 1990, as previsões que se tinha lá no distante passado foram comprovadas. O agravamento da miséria e do desemprego foi elevado em ritmo acelerado. Mais da metade dos habitantes da cidade moram em favelas e alagados. E segundo estudos de um instituto de questões populacionais de Washington, a cidade, nessa época, foi considerada a quarta pior do mundo para se viver.

No meio de todo esse caos urbano surge um grupo de músicos com ideias inovadoras para transmitir a situação dessa região para todo o país. Então, no ano de 1991 o movimento “manguebeat” aparece no cenário musical de forma impressionante. A palavra contracultura pode ser interpretada como uma postura, ou até uma posição, em face da cultura convencional, de crítica radical. Nos anos 1960, esse conceito se encaixou perfeitamente no movimento tropicalista e depois de trinta anos um abalo musical tão significante quanto esse nasce para fazer a diferença, mostrando a realidade do Nordeste do Brasil.

As bandas Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S/A são os maiores expoentes e precursores do movimento. Chico Science juntamente com Fred Zero Quatro, vocalista da Mundo Livre S/A, o jornalista Renato Lins e outros companheiros escrevem o que se torna o manifesto do movimento. Intitulado de “Caranguejos com cérebro”, o texto é divulgado em 1993 no encarte do primeiro disco de Chico Science e Nação Zumbi – Da lama ao caos. Dividido em três partes: mangue – o conceito, manguetown – a cidade, e mangue - a cena; o texto explica cada um dos tópicos e mostra a necessidade de expandir os pensamentos e mensagens dos mangueboys.

Chico Science e os Mangueboys

O movimento teve uma influência fundamental, o livro “Homens Caranguejos”, do sociólogo pernambucano Josué de Castro mostra uma comparação do ciclo de vida do homem miserável ao caranguejo, por este se alimentar por dejetos orgânicos do mangue. "Vamos criar um satélite de ideias, fincar uma parabólica no mangue e mostrar a cara do Brasil”, expressão dita pelos fundadores do movimento que evidencia o porque e para que vieram.

Capitaneada por Francisco de Assis França – o Chico Science-, a Nação Zumbi tornou-se a porta-voz do movimento, com suas letras e musicalidade totalmente inovadora, a banda ganhou o reconhecimento dos meios de comunicação de massa e consagrou definitivamente Chico Science no meio artístico cultural.

Estava criada então, propositalmente, uma nova cena musical com a intenção de ser ecoada por todo o país e, quem sabe, até no resto do mundo. A necessidade da atualização estética e tecnológica fez com que os “mangueboys” se sentissem cidadãos do mundo. Antes o que era considerado apenas cultura popular do povo da região, agora era expandida, reconhecida e valorizada. Adotou-se um visual mangue, chapéu de palha, camisas coloridas e óculos escuros. Nascia uma identidade coletiva.

Com uma mistura imensa de ritmos musicais, maracatu regional com ritmos da música pop mundial, passando pela pegada funk, batuques africanos, xaxado, flertes com o forró sertanejo e todos sendo acompanhados com guitarras distorcidas; o estilo da banda era inclassificável, tamanha a criatividade e a variedades de sons.

As pontes, os seis rios que cortam a cidade, os viadutos, o lixo, os urubus e a miséria; são elementos sempre presentes nas letras de Chico Science e Fred Zero Quatro. Acrescentados a esses elementos, temas como: a crítica social, a diferença de classes, a criminalidade e o banditismo estão presentes nos seis singles da banda no período com Chico Science no vocal; “Da lama ao caos”, “ A cidade”, “A praieira”, “Samba makossa”, “Manguetown” e “Maracatu atômico”. Esta última, sem dúvida, tornou-se o maior hit da banda. O primeiro álbum, que proporcionou a todos os amantes da música o primeiro contato com o mundo do movimento mangue, começa da melhor forma possível com a faixa “Monólogo ao pé do ouvido”, em que Chico Science, com a sua voz grossa e com seu sotaque nordestino diz:


Modernizar o passado é uma evolução musical

Cadê as notas que estavam aqui
Não preciso delas! Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
O orgulho, a arrogância, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios, os que destroem o poder bravio da humanidade
Viva Zapata! Viva Sandino! Viva Zumbi!
Antônio Conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião, sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza, eles também cantaram um dia.
(Monólogo ao pé do ouvido – Chico Science. Da lama ao caos,1993)


Portanto, já na abertura do disco se percebe o impacto do monólogo. Deixa bem claro o intuito do movimento, de fazer critica social, da luta, do protesto através da música do “manguebeat”. Citando os líderes revolucionários, Chico Science demonstra o seu e dos demais seguidores do movimento o sentimento de divulgar e mudar a realidade do seu povo.

Depois de três anos de contrato com a Sony Music, dois álbuns elogiados pela crítica, de conquistar o seu reconhecimento e seu espaço no meio musical, de três turnês mundiais a banda fazia sucesso. Até dia 2 de fevereiro de 1997, quando tragicamente Chico Science, aos 30 anos, perde a vida em um acidente de carro entre os municípios de Recife e Olinda. Perdia-se então um grande pensador, letrista e cantor da música brasileira; precursor do movimento “manguebeat”, que agora perdia suas forças depois da morte do seu líder.

“Chico Science, seria considerado pela crítica mundial o principal divisor de águas do pop internacional desde o aparecimento de Bob Marley, na década de 70”. Gilson Oliveira – Jornalista

“É essa autenticidade, essa busca sistemática da verdade do indivíduo e do mundo em que ele habita, uma de suas maiores contribuições, servindo de lição para muitos artistas que formam a atual cena musical pernambucana. Aconteceu com o Mangue, sem Chico, o mesmo que aconteceu com o reggae, sem Bob Marley. Uma grande semente foi plantada e bons frutos continuarão sendo colhidos por muito tempo”. Silvério Pessoa - Cantor e Compositor

“Ele foi um fenômeno cultural que, em tão pouco tempo, conseguiu modificar profundamente a maneira de o pernambucano ver a si mesmo, fortalecendo praticamente todos os setores da cultura local”. Pedro Mendes – Organizador do Rock na Praça

“Foi o movimento mais importante desde o tropicalismo. Não creio que ninguém tenha sucessor, mas o Chico tem seguidores, já que é difícil não se deixar influenciar pela música dele”. Pedro Luís – Músico

A importância de Chico Science na cultura e na música brasileira é incontestável. Principal representante de um movimento totalmente brasileiro e original. Conseguiu expressar, através da música, suas inquietações perante a situação do nordeste do país: a desigualdade social e a miséria geradora da criminalidade. Realidades que reinam na região. Apesar da sua passagem ter sido curta e sua obra não tão vasta assim, ela é de uma riqueza chocante que o colocou no hall dos mais expressivos artistas brasileiros.

Depois do baque da morte de Chico Science, a Nação Zumbi não se entregou e continuou sua carreira. Com o percussionista Jorge Du Peixe agora nos vocais, junto com o guitarrista Lúcio Maia, o baixista Alexandre Dengue, o baterista Pupillo e os percussionistas, Toca Ogan, Gilmar Bola Oito, Gustavo Da Lua e Marcos Matia; a banda continua fazendo sucesso, lançando discos, DVDs e fazendo turnês pelo exterior. A verdade é que se perdeu aquele brilho da presença de Chico Science, mas a banda continua com a mesma sonoridade. Ainda é reverenciada como era uma década atrás, e para muitos continua sendo a melhor banda do país.

Chico Science foi cedo, mas ainda hoje se pode ver a influencia do “malungo” em muitas bandas nacionais. O Rappa, Pedro Luís e a Parede, Cordel do Fogo Encantado, Mombojó, são algumas. Ele deixou marcas até na Escócia, onde surgiu um maracatu punk, o Bloco Vomit.

Lá no começo dos anos 1990, um baixinho magrinho de óculos escuros ajudou no nascimento de uma cena musical diferente de tudo que existia, misturando ritmos, sacudindo-os e colocando de cabeça para baixo a música, tornado-se, por tudo isso, o nome da década. Bem como diz uma das frases famosas dele: “Eu me organizando posso desorganizar”, realmente desorganizou e deixou muita gente espantada e perguntando o que era aquele rock misturado com batuque de tambores.









Mais um verdadeiro artista dá adeus


Lou Reed morreu. Infelizmente. Aos 71 anos um dos mais geniais músicos e poetas do século XX se despediu tranquilo e consciente, no último domingo em sua casa em Long Island , Nova York. A causa foi por complicações de um transplante de fígado feito em maio.

Guitarrista, letrista e compositor, Lou Reed nasceu no Brooklyn e quando grande tornou-se um exímio observador. Longe da cena pacífica e colorida de paz e amor dos hippies, Reed era mais realista. Sua alma de legítimo artista caminhava ao contrário da beleza. Pelas ruas cinzentas de Nova York foi imbuído pelas mazelas da sociedade americana.  E nessa perspectiva caótica de miséria, violência, drogas e prostituição fundou o The Velvet Underground na metade da década de 1960 com o baixista John Cale, o guitarrista Sterling Morrison a baterista  Maureen Tucker, para retratar e dar voz aos marginalizados.

Com uma proposta extremamente experimental, mesclando poesia, melodia e ruído tornaram-se uma banda de vanguarda. Inovadora e eternamente influente para o rock mundial. O Velvet foi uma referencia de rebeldia criativa e estilística. Sem eles é difícil imaginar o surgimento de correntes como o Glam, o Punk, o Gótico, o Industrial e o Pós-Punk. Tudo isso Lou Reed pode ser considerado progenitor. Além da noção de independência, que o Underground do nome da banda já sugeria, de não ter a pretensão de ser puramente comercial e de agir ao pegar os instrumentos e fazer sua música autoral. Se a cena independente existe em todo canto do mundo, certamente tem um pouco de Lou Reed e do Velvet Underground ali.

O artista pop Andy Warhol foi um dos poucos que pressentiu que eles poderiam ser grandes e contribuiu para a importância do grupo ao assinar uma das artes mais icônicas de um álbum de rock, a simples banana, e trazer a cantora alemã Nico e seus vocais fortes e graves para a banda.  Registro de estreia de 1967, que é coberta de clássicos, como: “Sunday Morning” (sobre a ressaca mental de uma noite de excessos), "I'm Waiting for the Man" (o dependente à espera do traficante), “Venus In Furs” e “Heroin”. Uma obra capital perene do rock.


Depois vieram White Light/White Heat (1968), o homônimo The Velvet Underground (1969) e Loaded (1970). Todos estes com a maioria das letras e canções escritas por Lou Reed. Após a dissolução do grupo, em 1970, Reed continua sua missão sozinho: pintar o lado atroz das ruas através da poesia. Com Transformer (1972) e Berlin (1973) chega à tradução de sua sensibilidade. “Walk on the Wild Side” (apelo a uma existência abusiva e um tributo aos travestis e homossexuais) e “Perfect Day” (uma lira comovente) são seus épicos.

A música de Lou Reed, tanto nos Velvets como nos seus trabalhos solos, possuem uma sonoridade impecável e entusiasmante. E por conta disso e a despeito das suas muitas poesias duras, elas trazem uma sensação de esperança por trás.

Lou Reed seria o Bukowski do rock...? O fato é que ele foi uma espécie de porta-voz de uma geração descrente e confusa e seu discurso sempre será atual. E pessoas iluminadas e corajosas assim sempre farão muita falta.




30 agosto 2013

Antes era o álcool, agora é a nicotina

É inegável
Sempre me apoio nos vícios
E sempre é preciso lutar contra eles

Quando não é a cerveja é o fumo
Bebo agora sem álcool
Para me enganar

Agora viciei no fumo
Não tem jeito
Sempre encontro algo para me depender

Será que existe fumo sem nicotina?
Se sim acharei outro vicio
Sou vulnerável a minha desordem interna.

27 agosto 2013

Conversa com Renato Russo


Como está tudo aí em cima Renato?
Aqui está muito pior do que quando estavas conosco
O mundo anda mais do que tão complicado

As pessoas não se amam
Não se respeitam
Não possuem bom senso

Esse mundo nos entristece
Não o conheci, mas o compreendi.
É muito pesar que sentimos
É difícil acreditar num mundo melhor
Mais harmônico e alegre

Tiveste sorte
Sabias da tua missão
Para muitos o que deixaste foi em vão
Mas para mim não
Enquanto suas poesias me fizerem chorar
Me é válido sua existência
E é deprimente pensar que tu fazes tanta falta nesses dias que nos destrói

Somos metal contra a tempestade
Devemos resistir
Apesar de tudo
Apesar das crueldades e das enfermidades desse mundo
Não devemos entregar sem lutar não é mesmo?

Com sua mensagem eterna derrotaremos os nossos inimigos
Internos e o estrago dos externos

Tudo passa néh Renato?
Nossa vida passa
Não levamos nada
Mas devemos deixar algo
Alguma esperança para a humanidade
Como deixaste
Quando nos abandonaste órfãos da sua bondade e inteligência

Afinal, ainda temos coisas bonitas por aqui.
Devemos nos ater nelas
Não é mesmo Renato?
Vamos começar de novo
Derrubando tudo que nos faz nos sentirmos mal.
"Há uma distinção entre trabalho e emprego. Emprego é fonte de renda e trabalho é fonte de vida. Alguém que não está mais no emprego não significa que ele não tenha mais trabalho. Porque trabalho é sinônimo de ocupação. Por exemplo, ócio. Ócio não é a ausência do que fazer. Ócio é a possibilidade de escolher o que fazer. Ócio não é vagabundagem, ócio é a possibilidade de escolha." (Mário Sérgio Cortella, filósofo)

26 agosto 2013

Noite: a fiel confidente

Quatro da manhã
Madrugada de segunda
Acordado
Enquanto todos dormem para estarem dispostos a afundarem no trabalho pela manhã
Por prazer ou por obrigação
Para manterem suas vidas de segurança

Aproveito o prazer da noite
Do encontro do eu com eu mesmo
Escrevo
Na frente do fogo da lareira, da tevê e com uma garrafa solitária de cerveja nas mãos

Anormal?
Para mim não
Pois esse é o meu eu verdadeiro

Com a companhia da solidão
Assim sigo
Sem tentar fingir o que não sou

À noite sinto-me mais vivo
Mais cheio
Mais confiante a cada criação
A cada pensamento inventivo
A cada transposição em palavras a minha confusão

Mais uma tragada, mais uma baforada, mais um gole e mais uma palavra
Uma tosse e o amargo da fumaça na garganta
Meus dedos estão ficando para sempre amarelos devido a combustão

Amanha acordarei e mais uma vez tentarei fazer algo de útil para o futuro
Algo que dê satisfação aos meus alheios
Algo que dificilmente me convém
Só para parecer preocupado e natural

Mais uma masturbação para relaxar
Com uma música calma adormeço
Com mil bagunças lá dentro, do pensamento

É impossível relaxar totalmente
Uma má noite para vocês
Incompreendidos.

21 agosto 2013

Enquanto todos dormem

Enquanto todos dormem eu tento achar a minha solução
Mas é sempre em vão
Sempre em vão

Os dias não param de passar
O final dos anos sempre chegam
E eu não consigo andar
Não consigo a evolução
Não

Só acontecem medos e esquivas
Nunca coragem e ação
O tempo corre e eu não consigo andar
Só me arrastar
Sinto-me estático nessa situação

Essa sensação não vai ter fim não
Não quero pensar que não
Queria poder descobrir qual é a minha missão

Quero conquistar mais confiança
Aumentar mais pontos de autoestima
De disposição
Quero vencer mais provas

Quero me encontrar mais útil, feliz e são.

19 agosto 2013

Criaturas perdidas

Será que há muitos desocupados como eu nessa vida?
Muitos vagando pelas ruas
Pelos portos
A procura de refúgio
À procura do por do sol que tranquiliza
                                
Será que há muitos desocupados como eu nessa vida?
Por medo ou falta de coragem
De enfrentar a normalidade

O que nos resta são os motins internos que sentimos
E o despudor em expressá-los
Honestidade
A melhor arma do escritor em conflito com a realidade.

Certeza

Eu sei que vou morrer sem aprender a viver
Tenho asas, mas não sei voar
Há muito que experimentar
Ler e escutar
Perversões a fazer
Palavras a escrever

Há muito que criar
Há muito que perder
Muito que ganhar
Muito que sofrer
Muito que chorar
Que se perder e se achar.

Vício


A maior praga descoberta pelo ser-humano nesse mundo são as drogas. Quantas vidas já foram desperdiçadas por essa moléstia. Porque foram existir esses vícios? É um oponente muito hostil. Uma guerra que se estende pela vida inteira. Uma batalha com poucas chances de sair vitorioso. Um achaque mental, físico e banal. Somos tão frágeis para lidar com isso.

14 agosto 2013

O enigma da vida

Porque realmente vivemos?
Pra onde iremos?
São questões muito profundas que devemos esquecer
Diz meu pai

Só devemos viver
Não pensar nos mistérios da origem
Nas simbologias que existem
Nos comportamentos que nos coagem a ter

Afinal, as pessoas creem no que?
Rezam para quem?
Se prendem a imagens sacras improváveis
Irreais

A fé ajuda
Mas não esclarece
Só a ciência tem o poder de responder.

Privação musical

Houve uma tarde uns anos atrás que senti uma vontade anormal de escutar uma música. Era uma específica: Big Mouth Strikes Again do The Smiths. Não entendo o porquê, mas simplesmente senti uma ânsia em ouvir aquela composição. Era uma sensação muito forte. O pior é que nada colaborava. Não tinha ela. A Internet não funcionava. Não conseguia saciar aquele desejo que me tomou conta. Comecei a sentir um desconforto. Pode ser um hiperbolismo, mas parecia uma crise de abstinência. Era algo que queria muito e não conseguia.

O efeito daquele desejo durou umas horas e depois foi amenizando. Não consegui aquele prazer. Fui ouvi-la no outro dia e foi uma mistura de alívio com êxtase.

Nunca tinha passado por isso. Mas entendo. Talvez aquela bateria em “Big Mouth Strikes Again”, me deixe exaltado. Sempre considerei Smiths uma das bandas de maior qualidade de sempre. Possuem uma sonoridade consistente e um suingue quase insuperável. Um concretismo completo. Guitarra, baixo e bateria no mesmo nível elevado. E a voz aveludada de Morrisey apenas contorna a sincronia perfeita.

Será que alguém já teve uma sensação desse tipo também?

09 agosto 2013

A Vitória (ou coisa que o valha)


video


Declaramos o fim desta era
em que sempre sentimos
as nossas vidas morrerem através das janelas

Não mais respeitaremos
nenhuma lei que diga o que não podemos
ou o que temos que fazer

Porque hoje o sol nasceu
declarando o fim destas lágrimas
e eu vou jogar aos céus meus braços
e não olhar mais para tras

Hoje dançamos sobre as ruínas
de suas instituições ultrapassadas
e declaramos para toda nossa vida
um estado eterno de felicidade

Hoje celebramos a nossa vitória
sobre o império da tristeza e do medo na escuridão

Nunca mais viveremos à sombra
de teus deuses e reis

Brindamos mil paixões e dançaremos
porque hoje o sol nasceu
declarando o fim destas lágrimas
e eu vou jogar aos céus
meus braços e não olhar mais para trás.


Composição: Dance Of Days

07 agosto 2013

Essa música diz tanto que nem sei como não tem meu nome



Não Fosse o Bom Humor
(Superguidis)

Queria ter muita coragem nessas horas
Poder dizer-te coisas antes de ir embora
Me dá um desespero, um nó em minha garganta
Não expressar opiniões não adianta

Um psiquiatra cairia bem
Não fosse o bom humor, meu estômago todo iria fritar
Meu estômago todo iria fritar

Desculpa se por um acaso eu te aborreça,
Mas o pior sempre está em minha cabeça

Um psiquiatra cairia bem, não fosse o bom humor
Um psiquiatra cairia bem
Não fosse o bom humor, meu estômago todo iria fritar
Meu estômago todo iria fritar

Companheiros fiéis

A noite é minha amiga
A música é minha amiga
Os filmes são meus amigos
As palavras são minhas amigas

O ócio é meu amigo
O fumo é meu amigo
A minha mente ainda não


E o álcool é meu amigo falso.

02 agosto 2013

Nada mais poético que a fumaça branca do palheiro refletindo à luz do sol.

video

31 julho 2013

The Frames: uma banda irlandesa ignorada no Brasil


A banda The Frames é originária de Dublin, na Irlanda. Parte do mundo um tanto esquecida artisticamente, mas berço de grandes como Rory Gallagher, Gary More, Thin Lizzy, do famoso poeta Van Morrison, e da potência comercial, U2.

Foi constituída pelo músico, compositor e ator Glen Hansard. Atualmente fazem parte, além dos fundadores Hansard (vocal principal e guitarra) e Colm Mac Con Iomare (teclados e violino); Joe Doyle (nas quatro cordas), Rob Bochnick (na outra guitarra) e Graham Hopkins (nas baquetas).


A banda debutou nos palcos em um festival de música irlandesa, na capital, em 1991. No mesmo ano deram um tempo, devido ao vocalista se ausentar para se dedicar nas gravações do filme The Commitments, do diretor Alan Parker (O Expresso da Meia-Noite, Pink Floyd – The Wall). No longa, Hansard fazia parte de um conjunto de músicos inexperientes. Ele voltaria às telas 15 anos depois, desta vez como protagonista, interpretando um músico de rua (ao natural, pois já foi um) no filme, Apenas uma Vez (Once). Película da qual lhe rendeu o Oscar de melhor música, com a doce ”Falling Slowly”.

Com a produção de Gil Norton, conhecido por trabalhar com os Pixies, a banda deu inicio a sua carreira de referencia com o excelente álbum Another Love Songs. Hoje, depois de pouco mais de duas décadas de estrada, são reverenciados, injustamente, somente no seu país natal.

Lembra The Waterboys e é bastante semelhante com Damien Rice. Mas há momentos de agitação na sua música, com bastante riffs rasgados, que remete ao rock alternativo da cena irlandesa dos anos 1990, junto com Swampshack e Turn. Porém, o lado atraente mesmo é o violino e o estilo um pouco folk pop de suas baladas, sempre presentes em algum momento em todos os seus seis álbuns lançados. E é nesse aspecto que está a maior qualidade do grupo, e principalmente de Hansard: a capacidade de fazer canções suaves que deveriam ser mais populares. Ou não. Talvez, se isso acontecesse perderíamos o entusiasmo.

Nota-se que são bons músicos que podem transitar por diversos estilos do amplo e vago gênero musical. Sua qualidade é inegável, visto que já foram banda de apoio do ícone Bob Dylan em alguns shows em 2007.

Um detalhe interessante é que costumam em suas apresentações incluírem trechos de sucessos de artistas renomados em meio a suas canções, como uma forma de homenagem. Fizeram isso com “Redemption Song”, do Bob Marley; “Ring of Fire”, do Johnny Cash; a tradicional “Lilac Wine”, de James Shelton (eternizada por Nina Simone e Jeff Buckley); e a mais improvável, “Pure Imagination”, da trilha do clássico filme infantil, A Fantástica Fábrica de Chocolates.

Mas o motivo do interesse pelos The Frames e dessa escrita surgiu realmente ao ver e se encantar pelo filme irlandês chamado À Beira da Loucura (On The Edge - 2001). Houve uma necessidade latente de descobrir quem eram os autores daquela bela canção “Seven Day Mile”, que se destacava na trilha sonora. Esta é uma daquelas músicas imperdíveis que não entendemos porque não é um sucesso mundial. Pois deveria ser. Assim como “Finally”, que também é especial. The Frames e Glen Hansard são as grandes descobertas desse ano

The Frames

Origem:
Dublin, Irlanda

Estilo:
Rock, Indie Rock, Folk

Integrantes:
Glen Hansard (vocal, guitarra)
Colm Mac Con Iomare (teclados e violino)
Joe Doyle (baixo)
Rocb Bochnik (guitarra)
Graham Hopkins (bateria)

Discografia:
Another Love Song (1991)
Fitzcarraldo (1995)
Dance the Devil (1999)
For the Birds (2001)
Breadcumb Trail (2002) (ao vivo)
Set List (2003) (ao vivo)
Burn the Maps (2004)
The Cost (2006)

Glen Hansard

The Swell Season ( com Marketá Irglová (2006)
Once Soundtrack (com Markéta Irglová (2007)
Strict Joy (com Markéta Irglová) (2009)
Rhythm and Repose (2012)

Veja duas performances da banda:






17 julho 2013

Diversão

O rock é diversão. Meramente divertimento. E poesia. Não política e engajamento. É transcender a alma através do som. É a experiência da existência. O reconhecimento de um mundo além do real. A viagem além do limite. Uma viagem dionisíaca. Agora, se causas mais importantes o inspira, por que não? É visto que o rock é uma excelente arma não violenta para a mudança social.

15 julho 2013


" A depressão é uma incapacidade de construir um futuro." (Terapia de Risco, 2013)

09 julho 2013

Jairo Lambari se apresenta pela primeira vez em Itaqui


A noite de 8 de junho foi atípica e especial. Alguns itaquienses tiveram a oportunidade e o prazer de presenciar o show do cantor nativista Jairo Lambari Fernandes. Dentro do cancioneiro gaúcho, Jairo é uma figura ímpar; tanto pela sua música lírica como também pela sua voz de timbre inconfundível. O diferencial de Lambari é o romantismo, a sensibilidade com que retrata suas letras. Faz-nos ver a simplicidade dos antigos da vida campestre, nos faz imaginar e sentir o cheiro do verde infinito das planícies do pampa, retrata encontros, ranchos, paixões comungadas com o mate; enfim, tudo que sua alma e vivência de peão despeja para ser transformado em poesia.

O CTG Rincão da Cruz recebeu um público razoável no evento. As mesas quase todas ocupadas. Poucas pessoas de pé. Muitos foram somente para aproveitar o baile após o show, mas prefiro crer que a maioria foi pelo motivo maior: a performance inédita do cantor cacequiense. Isso nos dá um facho de esperança. Esperança de que ainda há bom gosto e que ainda não fomos engolidos totalmente por aquela música vazia e descartável, que muito a mídia impõe e que somos obrigados a escutar no volume extrapolado em muitos carros pelas ruas. Uma atitude desprezível que deveria ser mais combatida.

O sistema de som do local estava bom, mas para quem não conhecia muito a fundo as letras do artista deve ter tido um pouco de dificuldade em entender. Um ponto um tanto negativo foi que infelizmente muitos desinteressados insistiram em conversarem em um tom alto em suas mesas, atrapalhando em certos momentos. Mas não ao ponto de ofuscar o espetáculo. Quem gosta entende que musicais desse tipo é preciso prestar atenção em cada detalhe, para não perder a essência, os momentos que nos causam entusiasmo; e o silêncio é imprescindível para isso. Essa é a minha leiga percepção.

Lambari se mostrou sucinto e simpático com a plateia. Disse que gostou e se sentiu bem na cidade, e até elogiou a arquitetura histórica do prédio do antigo mercado-público. Quanto ao repertório, foi o esperado. Presenteou-nos com uma mescla das suas músicas baguais mais pulsantes, como: “À Dom Antônio Trindade” e “No Rastro da Gadaria” (que abriu e encerrou de forma empolgante a atração), e com seus grandes sucessos: “Naco de Luz”, “Morena” e “Por Bem Dizer-te”. Temas que resumem o seu trabalho calcado na poética romanesca e nas sonoridades suaves. Executou também destaques do seu último trabalho: “Por um Abraço”, “Enserenada”, “Pra minha Amada”, e a faixa título “Cena de Campo”. Ficou a vontade de escutar “Flor do Mar”, a sua obra-prima, do quilate da clássica “Cordas de Espinho”, de Luiz Coronel e Marco Aurélio Vasconcellos.

Lambari nos lavou a alma. Foi cerca de uma hora de contemplação, de exaltação e orgulho da nossa cultura, da nossa verdadeira identidade, a do homem simples e acolhedor; o gaúcho fronteiriço. Pena que acabou. Apresentações como a de Lambari são aquelas que não enjoamos de ver. Cada ocasião é única e com sensações que se renovam.

Todos os organizadores e apoiadores estão de parabéns. Iniciativas corajosas como essas que nos engrandecem como indivíduos. Porque acredito piamente na teoria de que “a cultura é uma poderosa força para a paz interior e coletiva”. Por isso ações culturais como essa precisam ser mais frequentes em nossa cidade. Agora só falta um show do Marcelo Oliveira, mais um cantor de grande talento que canta com a alma, assim como Jairo Lambari Fernandes o faz. Seria mais uma noite marcante.

08 julho 2013


O único ponto negativo da bebida, da cerveja principalmente, é ter que mijar de poucos em poucos minutos. Todos os homens bebedores desse mundo ficariam realizados se isso fosse diferente. Se ao invés de termos que despejar a todo momento déssemos só uma maravilhosa mijada depois do ultimo gole da noite.
A maior sorte que pode existir é nascermos em uma família que tem condições suficientes para prover de cobertores a fim de nos aquecer e confortar nas noites de extremo frio. 

02 julho 2013

Ócio criativo

Gosto do prazer
Pendo para o mal visto
Para o não recomendado
Para o abuso
Do álcool, da comida e do fumo

Os opostos
O deleite e o mal estar
O sono tarde
O ócio um pouco inventivo

Escritas para a eternidade
Ou não
A perda total pela modernidade.

01 julho 2013

Amor próprio

Nada melhor do que eu mesmo
Junto dos meus prazeres
Os meus momentos eternos
Com o vinho, o cinema e a combustão

A produção tempestuosa
Sem ambição de nexo ou recompensa
A chuva de palavras
Para a estatização da alma

O rompimento da realidade imposta
O mergulho no interior não mundano
A distração no mundo paralelo
A criação por esforço pensativo

Às vezes deslocado me sinto
Por não ter alguém dentro de casa que compartilhe os meus gostos
Por ser sozinho no meu ritmo
Então, sozinho na minha personalidade sigo
Esses momentos meus é só eu que vivo

Enquanto estiver escrevendo não me importo com as horas de sono.

27 junho 2013

Distração ilimitada

Tenho uma vontade tremenda de conhecer pessoas iguais a mim
Que vivem diferente
Que são distintas daquela que se prezam normal

Vivendo como se os dias todos fossem de janeiro
Não quero dinheiro
Quero viver
Com prazer
Os dias inteiros.

23 junho 2013


"Você acredita no destino? Ah, o destino. Sequência imprevisível de fatos que fazem a vida do homem, independente da sua vontade. Alguns o chamam de sorte, fado, fortuna, sina. Seja com que nome for, destino é o que aquilo acontecerá com você no futuro.

Você acredita no destino? Eu não. Eu acredito que o ser humano tem o poder e totais condições para estragar a sua própria vida sem a ajuda de ninguém. Tomando as decisões erradas na horas impróprias, aliando-se a canalhas diversos, acreditando em heróis, crentes, e outros farsantes. Apaixonando-se por pessoas doentes ou de péssimo caráter e principalmente acreditando cegamente em sua própria inteligência, bondade, charme, sanidade e senso de justiça. Um grave erro." (Estrada - 1995, dir: Jorge Furtado)


Assista o curta neste link

22 junho 2013

Descrição de uma noite habitual

Estendido
À luz da lamparina e áudios de jazz
Leio textos de interesses culturais
Olho curtas para passar o tempo vazio

Fecho os olhos
Sinto o som da chuva no zinco que reconforta a mente medrosa
Misturada com a rotineira musica clássica
Calmante sagrado para repousar
Para desviar pensamentos ruins

O imã natural do sono chegou aos olhos
Será que amanha serei útil?
O melhor nessas horas é agradecer e tentar dormir sem pensar.


Madrugada de 3 de Março de 2013

21 junho 2013


"Talvez os seres humanos não foram feitos para serem livres e felizes ao mesmo tempo. Sempre estamos tratando de nos escravizar de uma forma ou de outra. Se não é através de uma carreira, é por um relacionamento ou por filhos." (Slacker - 1991)

"Quando jovens, nos afligimos por uma mulher. Enquanto envelhecemos, nos afligimos pelas mulheres em geral. A tragédia da vida é que o homem nunca é livre, mas se esforça pelo impossível. A coisa mais temida em segredo sempre acontece. Minha vida, minhas paixões, onde estão agora? Mas quanto mais a dor cresce, mais se mantém de alguma forma o instinto pela vida. A beleza necessária da vida é entregar-se a ela completamente. Só mais tarde ficará mais claro e coerente." Old Man (Slacker - 1991)


20 junho 2013

Crescer é difícil. Conquistar as expectativas que o colocam é mentalmente desgastante.  Sortudos são aqueles que crescem com a certeza do que querem, do que querem ser profissionalmente. E os que nunca tiveram ideia disso, sempre nada o despertou, ficam perdidos. É preciso ter muita coragem para ser adulto.



A falha das mulheres


As mulheres são individualistas por natureza. Os homens não. As mulheres têm sempre que se diferenciarem das outras. A cor do esmalte das unhas tem que ser exclusivo. A roupa tem que ser única e irrepetível. Os homens possuem uma índole mais coletiva. Geralmente não se importam de não serem excepcionais. Conservam a mesma amizade da adolescência. Hesitam em fazer novas convivências. Frequentam o mesmo clube sem inveja. Vão ao mesmo bar para relaxar e conversar, sem colocar o ego em primeiro lugar. Mesmo com o contato com outros que não conhece bem - possíveis inimigos -, basta algumas palavras e doses que chegam a um ponto de intersecção de gostos. As mulheres não. Ao contrário dos homens, estão sempre alimentando a rivalidade interpessoal. A maioria das mulheres são muito difíceis, por serem extremamente egoístas. Ilusoriamente sempre certas.

19 junho 2013

A bebida é uma das poucas coisas que dão brilho à vida.

21 maio 2013


A música 1979, do The Smashing Pumpkins, exala um ar de descomprometimento e vivacidade juvenil. Possui uma sonoridade muito aconchegante.



20 maio 2013

Bandas ignoradas: TOOL




Banda de muita qualidade que me arrependo de não ter me aprofundado devidamente na época da adolescência é a Tool. Precisamente foda. Peso e técnica na medida. Aquela da figura icônica do Maynard James Kennan (posteriormente também vocalista da banda A Perfect Circle), tanto pelo seu vocal gritante, seu estilo singular de corte de cabelo e pela sua performance hipnotizante na frente do palco. Maynard na época do inicio do Tool se mostra extasiado nos shows. Com aquela vontade, socando o microfone na boca do estomago e no limite com trejeitos de Jello Biafra nas apresentações dos Dead Kennedys, mas menos louco, claro.

O som pendendo pro trash metal de “Opiate”, o primeiro registro fonográfico da banda é o que mais agrada os que apreciam a fúria de muita força na guitarra e dois bumbos como metralhadora. Uma pegadinha para o que viria depois, um som mais elaborado que aparece nos trabalhos posteriores, especialmente com “Lateratus”, que mostra um estilo mais melódico mas não menos pesado e sim extremamente perturbador, pelos temas mais filosóficos e religiosos, pela sonoridade, e principalmente pelos seus videoclipes que mais parecem curtas alegóricos. Escorando-se no baixo mais presente de Justin Chancellor, maior exemplo está em "Schism", que lembra a introdução de "Spirit Crusher" do Death. “Schism” é somente mais uma das tantas músicas marcantes da banda. Tool não é convencional. Se ainda não conhece, precisa, porque é uma viagem alucinante.

Tool

Origem:
Los Angeles, Califórnia

Estilo: algo como metal alternativo-progressivo (não importa – rótulos são indispensáveis quando se é intenso).

Integrantes:

Maynard James Keenan (vocal)
Adam Jones (guitarra)
Justin Chancellor (baixo)
Danny Carey (bateria)

Discografia:

Opiate (1992) (EP)
Undertow (1993)
Ænima (1996)
Lateratus (2001)
10,000 Days (2006)

Confira dois vídeos do grupo:

Sober ao vivo no Reading Festival em 1993




Schism - vídeo oficial 



16 abril 2013

As dez baladas mais clássicas do rock argentino



Se há uma nação que aparenta ser muito mais patriota que a nossa essa nação é a Argentina. Até porque o Brasil é, na verdade, um continente com muitos Estados Países multiétnicos. Porem, na Argentina esse ufanismo se reflete potencialmente no tango e no rock argentino; duas das principais manifestações musicais do país. E aqui o que há é uma miscelânea de ritmos que não representam o país como uma unidade.

No momento, o que não para de tocar nos fones de ouvido, por questão de preferencia, é esse rock apaixonado que se faz no outro lado do rio. Percebe-se como espectador distante que há muito mais orgulho, mais vigor em passar esse pertencimento identitário através desse gênero. O rock argentino é parnasiano. Os artistas parecem serem mais valorizados. Músicos que são cânones atemporais no país ainda lotam estádios, vide Charly García e Fito Páez. Talvez os mais conhecidos aqui no Brasil. Mas o catálogo de artistas ídolos do rock da Argentina é extenso.

Na metade dos anos 1960, quando o rock tomou conta da Inglaterra e dos EUA, os argentinos de imediato tiveram contato com essa revolução cultural e logo nasceram bandas como Los Gatos, Manal e Almendra. Grupos que se podem considerar precursores do estilo na Argentina. Enquanto aqui no Brasil ainda estávamos engatinhando. O ritmo ainda não existia. Recém tínhamos versões de Celly Campelo e depois da Jovem Guarda. Nossos vizinhos estavam há muitos anos na frente em termos de produção cultural por meio do rock and roll.

Lá a efervescência era grande. Depois apareceu Pescado Rabioso, Sui Generis, Serú Girán, Pappo’s Blues (liderada por Norberto ‘Pappo’ Napolitano a maior autoridade de blues que existiu no país), Color Humano, Vox Dei; e uma infinidade de bandas que faziam aquele rock clássico de alta qualidade. Muitas delas tocaram no mesmo palco, em 1972, no famoso Festival B.A Rock, retratado no filme ”Hasta que se Ponga el Sol”, de Aníbal Uset, algo como o Festival de Woodstock da Argentina. O filme é um documento histórico cultural do país e ali se tem a real noção do brilhantismo do rock feito pelos nossos “hermanos”.

Fazer uma lista é um processo muito subjetivo. Geralmente, escolher as preferidas é um sofrimento. Mas essa não foi difícil. São canções que no primeiro contato já se sente porque são aclamadas em seu país. São temas que tocam realmente, pelo lirismo que possuem. Transcendem questões de gostos específicos. São belas canções universais. Ei-las:

10. Trátame Suavemente - Soda Stereo: A banda mais popular da Argentina dos anos 1980 e 1990. Sucesso da mesma proporção que a Legião Urbana aqui no Brasil. Formada pelo baterista Charly Alberti, pelo vocalista e guitarrista Gustavo Cerati e pelo baixista Zeta Bosio. A Soda Stereo, durante 15 anos (1982 – 1997) de carreira estiveram no topo da fama. Maior exemplo de tamanho prestígio do trio são as duas apresentações entusiasmadas, como atração principal do Festival Internacional da Canção de Viña del Mar, em 1987.

São autores do famoso hit “De Musica Ligera”, que foi tema de duas versões aqui: uma d’Os Paralamas do Sucesso, com o mesmo nome; e outra do Capital Inicial, chamada “À sua Maneira”. Em 2007, reuniram-se para a turnê Me Veras Volver. Na volta triunfal fizeram história ao ser a primeira banda de rock a realizar cinco shows seguidos no Monumental de Nunez, Estádio do River Plate. Posteriormente, apresentaram-se também, no México, Estados Unidos, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Chile. Finalizada a excursão cada um retornou para os seus projetos. Tristemente, em meados de 2010, Gustavo Cerati sofre um AVC, em meio a uma apresentação em Caracas. Desde lá continua em coma na Clínica Alcla, em Buenos Aires. Soda Stereo é, sem dúvida, uma das bandas mais imprescindíveis do rock ibero-americano. Tratame Suavemente é o tema mais romântico da banda. Deve ter embalado muitos casais na época. Outros, entre tantos, enormes sucessos do Soda, destacam-se: Nada Personal, Persiana Americana, Cuando Pase el TemblorEn la Ciudad de la Furia.




9. Imágenes Paganas - Virus: Virus é uma banda pop tipicamente dos anos 1980. Daquelas do estilo New Wave; que abusam do teclado, sintetizadores e bateria eletrônica. Fizeram considerável sucesso até 1988. Ano em que perderam para o HIV o seu líder, Federico Moura. Continuaram por mais um ano, com o irmão de Federico nos vocais. Em 1994 voltaram, e estão ativos até hoje. Mas, nunca mais chegaram perto de Imágenes Paganas, o maior sucesso da banda no seu auge.




8. Seguir Viviendo sin tu Amor - Luis Alberto Spinetta: O El Flaco. Foi um dos poetas musicais mais importantes da Argentina. Compositor, cantor e guitarrista. Mentor de uma das bandas seminais do rock do país, o Almendra. As letras de Spinetta vertem influencias de filósofos, escritores, poetas e pensadores de renome, como: Rimbaud, Castaneda, Foucault, Deleuze, Nietzsche, Jung, Freud e Artaud. E é Artaud o nome do principal álbum do Pescado Rabioso, grupo liderado por Spinetta de 1971 a 1973. O guitarrista David Lebón (Serú Girán) também fez parte da banda. Foram apenas três anos de duração, mas o suficiente para editarem três obras primorosas: Desartomentándonos (1972), Pescado 2 (1973) e Artaud (1973). Este último considerado, através de uma votação da revista Rolling Stone, o melhor disco da história da música Argentina. O Pescado Rabioso era um grupo que fazia baladas e um blues rock impecáveis. Por suas produções nos anos 1970, Spinetta foi reconhecido em toda a América do Sul. Foi partícipe de outras bandas nas décadas seguintes: Invisible, Spinetta Jade, e Spinetta y los Socios del Desierto. Depois seguiu carreira solo ativamente - até dia 8 de fevereiro de 2012, quando a notícia de sua morte por câncer no pulmão entristeceu a todos que sentiam sua genialidade. Com a melosa Seguir Viviendo sin tu Amor nota-se a dimensão de sua sensibilidade artística. É um bom ponto de partida para começar  a conhecer o seu trabalho. Outro clássico seu é Rezo por Vos (parceria com Charly García). Imaginem o que pode sair dessas mentes juntas.




7. Carabelas Nada - Fito Páez: um dos principais e exímios compositores do país, do porte de Spinetta e Charly Garcia. Talvez o músico argentino de maior popularidade no exterior. Seu álbum El Amor Despues del Amor (1992) é o mais vendido de toda a história do rock argentino, ultrapassando a marca de 700 mil unidades. Isso rendeu uma turnê de estádios lotados em nove países e uma apresentação para um público de 50 mil em Cuba, a primeira de um artista estrangeiro na Plaza de La Revolución. Seu hit pop Mariposa Tecknicolor foi talvez a música argentina mais tocada nos anos 1990. Além de músico e compositor, se aventurou no cinema. Dirigiu e escreveu um média metragem (La Balada de Donna Helenae um longa (Vidas Privadas). Dentre os artistas argentinos é o que cultiva maior ligação com o Brasil. Foi regravado e fez parcerias com Caetano Veloso, Os Paralamas do Sucesso, Djavan, Thedy Correa, Titãs. É um aficionado pela música brasileira. Fã de Chico Buarque, Fito já fez muitas referencias ao poeta brasileiro em suas canções e regravou a música Construção no álbum Confiá, de 2011. Carabelas Nada na primeira palavra menciona Chico Buarque. É um tango arrastado, com uma bela linha de piano. É uma canção que suscita imagens. Um retrato de Buenos Aires, do bairro Caballito numa tarde chuvosa, de belas mulheres com suas lindas pernas descendo de um taxi. Fito tirou essa balada de dentro da alma.




6. Los Dinosaurios - Charly García: este dispensa maiores apresentações. Com mais de 40 anos de carreira é sinônimo de rock argentino. É uma das personalidades mais icônicas da América Latina. Reconhecido tanto pelo seu talento musical, como pelo seu comportamento polêmico e desregrado. Cantor, compositor, produtor, guitarrista e perito em piano. Artista ativo, liderou bandas do primeiro escalão do rock argentino, como Sui Generis, PorSuiGieco, La Maquina de Hacer Pájaros e Serú Girán. Desde 1982 possui uma equilibrada carreira solo. Já deixou seu legado na história da música argentina. Nem é necessário produzir mais. Mas quanto mais do Charly melhor. Los Dinosaurios é uma das mais lindas composições de sua carreira como solista. É uma balada triste que versa sobre perda, sobre o imprevisível e a brevidade da vida.




5. Seminare - Serú Girán: para muitos críticos e melomaníacos argentinos é considerada como a maior banda de rock da Argentina de sempre. Formada por Charly García, David Lebón, Pedro Aznar e Oscar Moro; o grupo foi referencia de protesto contra a ditadura, e se destacavam por misturarem gêneros musicais como, blues, jazz e progressivo. Em muitas de suas músicas a impressão que se tem é como se o Pink Floyd (progressivo do Charly Garcia) tivesse o Jaco Pastorius em sua formação (pela técnica no baixo fretless do Pedro Aznar). Na letrística transitavam por temas universais como amor, solidão, nostalgia e costumes. Seminare, juntamente com Eiti Leda, são as principais canções de amor deles. Estão juntas no álbum homônimo de estreia da banda, de 1978.




4. Canción para mi Muerte - Sui Generis: como o termo significa, foram únicos no país. A primeira banda de Charly García e Nito Mestre - o flautista latino. Junto com eles, fizeram parte do grupo: Carlos Piegari, Beto Rodríguez, Juan Belia e Alejandro Correa. Ao longo de sete anos de atividade ocorreu várias deserções na banda. Mas a essência era a dupla. Cancion para mi Muerte é a obra prima da banda folk. É uma epígrafe nostálgica para a morte dos sonhos da juventude.




3. La Colina de la Vida - León Gieco: o Bob Dylan argentino. Um dos maiores compositores e cantores populares da Argentina. Autor de muitas músicas de cunho social e político. Gieco é a mistura de rock rural com folclore urbano. Suas canções são libelos a favor dos direitos humanos. É a outra ária eterna de Gieco. Da altura emotiva de Sólo Le Pido a Dios. Para os mais roqueiros podem conhecê-la na versão mais punk da banda Attaque 77, dividindo o microfone com o próprio Gieco.




2. Sólo le Pido a Dios - León Gieco: é o seu tema mais afamado. Literalmente um hino contra a injustiça social. Canção eternizada e reconhecida (se não mundialmente, deveria ser), na voz da grande Mercedes Sosa. Além desta e de La Colina de la Vida, outra composição sua de ampla notoriedade é Hombres de Hierro.




1. Viernes 3am - Serú Girán: A pérola do supergrupo de rock mais cultuado pelos castelhanos. Viernes 3am é a canção mais linda já feita na Argentina. Os arranjos, a harmonia, o vocal do Charly e o som dos ponteiros do relógio tornam-na única. Arte perfeita. Inesquecível.



Rock Argentino, Gracias Totales! Fuerza Cerati!