23 dezembro 2014

Pepita de Ouro

The Butts Band. Banda genial de John Desmore e Robby Krieger pós Doors



Para saber mais:

09 dezembro 2014

Nada será como Milton


Dos tantos nomes de pompa que fizeram historia na MPB o meu preferido sempre será o Milton Nascimento. O Milton é único. Sua voz tem uma potencia inexplicável. Uma tessitura mista de grave e agudo. Elis Regina sentiu sua natureza e definiu perfeitamente a sensação na frase: “Se Deus cantasse, seria com a voz de Milton”. Ao ouvir os seus falsetes escutamos algo como um coro de anjos. É inconfundível e de pouquíssimas referencias.

O Bituca é a música brasileira e latina em pessoa. Desde seu surgimento com o Clube da Esquina, - o movimento mais rico da nossa música – até hoje, sua presença apesar de rara me cativa. Sua música tem cheiro de terra, como disse Ruy Guerra.

Basta escutar seus hinos clássicos, como: Travessia, Cais, Canção do Sal, Tudo que Você Podia Ser, Nada Será como Antes, Coração de Estudante, Nos Bailes da Vida, Para Lennon e McCartney, Clube da Esquina nº2, Carta para River Phoenix; e todas as outras. Milton tem a magia de transformar a música em rito.

Milton deveria ser sempre jovem com aquela sua boina característica. É daqueles artistas que gostaríamos que ficassem aqui para sempre, nos encantando com suas composições além-território.

Um sujeito místico e enigmático. Humano, humilde e discreto.

Sempre me emociono quando ouço Milton. E tenho certeza que vou escutá-lo por toda a vida. Quando o Milton morrer vou sentir muito. Tomara que essa notícia demore a chegar.

Experimente escutar sua arte com atenção. Vai entender que essa reverência não é exagero.



02 dezembro 2014

O indescritível Frank


Frank é um filme genial. Um tratado de paixão pela música. Do amor da arte pela arte, e não pela fama e dinheiro. Para a maioria: esquisito. Mas para os desajustados: brilhante. Frank com sua máscara de fuga. Uma imagem impactante, que mescla comicidade e aflição.

Tem tudo para ser cultuado. Personagens insanos, com atitudes incomuns. Atuações primorosas, especialmente de Michael Fassbender.

Os que se identificaram captarão a mensagem. E dá uma vontade de se esconder numa carapuça dessas. Não é verdade?

Imperdível, por ser desigual.

27 novembro 2014

HURACÁN ES CAMPEÓN!


HURACÁN chegou a tua hora! Depois de 41 anos de morno, o El Globito explode na Copa da Argentina. Que alegria! Parabéns a los apaixonados quemeros. Rumo à Libertadores 2015!

100% Quemero!



14 novembro 2014

MIlongarock


Os Insetos Sociais continuam vivos


A INSETO SOCIAL completou 16 anos. Originária de Santa Maria, a banda foi formada em 1998, por: Flamarion Rocha (guitarra/vocal), Márcio Garcia (bateria), Alex Ferraz (guitarra) e Orlando Cavalheiro (baixo).

O grupo, que já foi banda de apoio do WANDER WILDNER, possui uma relevante história no cenário independente do rock gaúcho. No ano de sua estreia em palcos (1998) a banda foi classificada entre 400 de todo o Sul do país no Skol Rock 98. Em Florianópolis tocou para um público aproximado de 10 mil pessoas. Evento em que teve como principais atrações BARÃO VERMELHO e CHARLIE BROWN JR, e cobertura da MTV.

Em 2000, os Insetos Sociais ficaram célebres por serem protagonistas de uma façanha incomum - extraída da cabeça insana do baixista Giovani Kovalczyk - percorreram a pé 270 km durante 11 dias, de Santa Maria a Porto Alegre, para terem a chance de tocar no Planeta Atlântida.  Chegando lá, conseguiram se apresentar nos dois dias em palcos alternativos do evento.

Durante esses anos de asfalto (fora o hiato de 2005 a 2010) tocaram em muitos festivais no RS e em muitas cidades do interior do Estado. Lançaram dois álbuns (o Homônimo – 2000 e Keep On Rockin’ - 2013) e um EP (Ed Wood Nunca Ganhou um Oscar - 2002).

O grupo detém a característica de ser avesso a rótulos. Possuem uma grande influencia de NIRVANA, PIXIES e NEIL YOUNG, mas transitam por diferentes modos de fazer o gênero: punk, grunge, hardcore, e até uma mínima influência de rap. Digamos que o único título que se possa lhe atribuir é que se refere a um grupo simplesmente de rock and roll, sem se importar com suas adjacências. Talvez, por conta disso que a banda conquistou o seu séquito fiel de fãs.

Assisti recentemente ao trabalho audiovisual “Contando Insetos”, que retrata tudo isso minuciosamente. A película traz falas dos integrantes e ex-integrantes do grupo e depoimentos de figuras importantes da mídia e do rock do sul, como o relato de Wander Wildner e do mitológico Pylla, da lendária banda FUGA. Imperdível. Precisa ser visto. Precisa ser divulgado

Os loucos e sonhadores da Inseto nunca desistiram de serem reconhecidos no meio. Nem que para isso tivessem que concluir a estratégia ousada de ir ao Planeta Atlântida a pé para serem vistos.  Os personagens da proeza não titubeiam em declarar que fizeram a jornada para atrair a atenção da mídia. E conseguiram.  E muito bem. E não era só para simplesmente ser notícia, e sim para mostrar o que tinham a dizer artisticamente e provar a todos que é possível. É plausível uma banda punk ser reconhecida no Estado e quiçá no país inteiro. Mas para chegar lá é preciso muita labuta e paixão. A Inseto teve. E nunca será esquecida por quem é ligado no rock do nosso Estado.

Exemplo de paixão e perseverança.


11 novembro 2014

11.11.11

Quem esteve lá em Porto Alegre e foi num tal concerto de rock, nunca vai esquecer desta data. Nem perto do fim da linha da vida. Ver uma apresentação do Pearl Jam já é por si só inesquecível e ainda por cima com essa data... não tem como.

Até o momento, o melhor show internacional que tive a oportunidade de ver. E como é raro eu ir em algum. Este vai ficar por um bom tempo no primeiro lugar do podium. Não é, Frederico Bravo Pillon?


09 outubro 2014

O primeiro solo de David Gilmour


Há muitos que sempre odiarão PINK FLOYD, por conta do experimentalismo. É mais um daqueles casos clichês do ou ama ou abomina. A minha teoria é que essa instituição inglesa vai além de ser somente uma banda de rock. Pink Floyd é como música clássica. É preciso de um determinado momento e preparação para escutar e sentir.

A sensação que se tem após “The Piper At The Gates Of Dawn” - o único com o selo do insano Syd Barrett -, é que David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright embarcaram em uma viagem sonora e não voltaram mais. Extrapolaram os limites da criação musical, assim como ZAPPA. E nos convidam para a jornada junto dos registros. Basta olhar o ao vivo em Pompeia para entender. É necessário estar aberto à experiência. Depois que entra nessa cápsula dura um tempo para retornar.

E o maior culpado disso tudo é DAVID GILMOUR, um dos guitarristas mais diferenciados e criativos da história do rock. Sem dúvida o mais melodioso. Não é a questão de quantas notas consegue tocar em menos tempo. Não é masturbação técnica, e sim, puro feeling. Ouvir um solo de Gilmour é presenciar a guitarra falar, gritar e muitas vezes até chorar. É um raro exemplar que não se encontra mais.

Há tempos vinha namorando um álbum solo do Gilmour. O primeiro, de 1978. Homônimo. Sempre me deparava com ele me olhando, relegado na sessão de ofertas. Até que um dia criei coragem e o levei. E foi uma das melhores escolhas que fiz em todos esses anos de colecionador amador de CDs.

Por uma bagatela de quatorze reais tive uma surpresa das grandes. Uma obra primorosa do começo ao fim. Poderia bem fazer parte da discografia do Pink Floyd, mas é só o interior do Gilmour se expressando ali. Uma sequencia de esculturas esculpidas pelos solos e vocais transcendentais Gilmourianos, com uma base simétrica e audível. Não há como escolher destaques. Todas sobressaem em completude.

Baladas, Blues Rock, progressividade, pianos, suavidade, lamentações sonoras perfeitas para adormecer.

Obrigatório para toda a família. Pinkfloydianos ou não.

Produção Impecável


David Gilmour (1978)
Produção: David Gilmour

1.Mihalis
2.     There's No Way Out of Here
3.     Cry From The Street
4.     So Far Away
5.     Short And Sweet
6.     Raise My Rent
7.     No Way
8.     Deafinitely
9.     I Can't Breath Anymore

David Gilmour / guitarrapianotecladosvocais
Rick Wills / baixo, vocais
Willie Wilson / bateria, percussão



12 setembro 2014

Rock Gaúcho: bandas novas que valem a pena - Rinoceronte


Na seara vasta dos estilos de se fazer rock, a que sempre me fascinou mais são os power-trios. É o rock puro. Direto. Baixo, bateria e guitarra. Sem frescuras e enfeites sonoros. É o “simples” essencial. É a porrada comendo solta mesmo. Harmonia pesada e simétrica da cozinha com riffs que complementam. Com direito a viradas de bateria e grooves de baixo.

Sonoridade densa e veloz, como uma manada de búfalos descendo uma ladeira e levantando poeira. Essa é a sensação de escutar um bom Hard de três integrantes, principalmente dos anos 1970. De Cream, Jimi Hendrix Experience e Blue Cheer à Grand Funk Railroad, Mountain, Trapeze, Budgie e Beck Bogart & Appice. E aqui na América do Sul de Pappo’s Blues, Aeroblus à Vox Dei e Color Humano.

No trio não há espaço para fingimento. Não há o que esconder. Ou se sabe tocar muito bem ou desmorona. Não há liga. São poucas as bandas que sincronizam e são criativas em forma de tríade. São únicos em seus instrumentos e há um acumulo de tarefas no que toca e canta que demanda dom e muita sensibilidade.

Aqui no Rio Grande do Sul tem um grupo que faz esse tipo de som e que se encaixa perfeitamente nessas propriedades. É a RINOCERONTE. Banda de Santa Maria que nos remete à esse Hard setentista pegado de três músicos.

A banda é formada por Paulo Noronha (voz e guitarra), Vinicius Brum (baixo e voz) e ‘Alemão’ Luis Henrique (na bateria). Formada em 2007, já lançaram dois discos completos (Nasceu -2010 e O Instinto-2013) e rodaram o Brasil em muitos festivais independentes.

Possui uma sonoridade coesa, pesada, com flertes a stoner, e uma performance empolgante. Letras inteligentes e em português. Rinoceronte não é mais promessa. É uma das melhores bandas do modo power-trio do país. Os caras arrebentam com tudo! Pra quem gosta de rock com tutano é indispensável.

Saiba mais em: www.rinoceronterock.com



10 setembro 2014

Vera Loca grava versão de Parabólica dos Engenheiros do Hawaii


Em 1992 os Engenheiros do Hawaii lançaram seu sétimo disco, intitulado “Gessinger, Licks e Maltz”. É deste álbum a faixa “Parabólica”, em que Humberto Gessinger homenageia sua filha Clara. A citação final da letra diz: “ eu paro e fico aqui parado, olho-me para longe, a distância não separabólica”.

Vinte e dois anos depois a banda Vera Loca escolheu esta canção para homenagear os trinta anos dos Engenheiros do Hawaii. “Parabólica” foi gravada ao vivo em show acústico que superlotou o Theatro São Pedro (POA) em maio deste ano. A versão da Vera Loca integra o projeto “Espelho Retrovisor", coletânea-tributo organizada pelo site Scream&Yell.


Fonte: Vera Loca

05 setembro 2014

O guerreiro dá adeus


Amanheceu vazio o quatro de setembro. Morreu mais um grande artista. Um dos melhores do rock argentino. Gustavo Cerati não aguentou mais o coma de quatro anos.  

É extremamente triste e sacrificante escrever hoje. O músico que germinou o rock latino dentro de mim. Soda Stereo é encantador. Sua obra é primorosa. Ídolo.

Os gênios não são esquecidos. Ele não será também. Ao menos por mim e muitos argentinos. Sua música sempre será um soro contra a tristeza e a depressão.

Obrigado por nos tratar suavemente.

Obrigado pela sua contribuição em minha vida.

Gracias Totales!

“El Silencio no es tiempo perdido.”





01 setembro 2014

A magia das canções


A música é a descoberta mais bela do homem. Nietzsche estava coberto de razão quando proferiu a frase: “Sem a música, a vida seria um erro.” É impressionante como existem canções universais que herdamos.  Aquelas que não nos são estranhas ao ouvido. Nascemos com elas. São inúmeras.

Podemos nunca tê-las escutado, mas conhecemo-las. Basta ouvir os primeiros acordes que se tornam intimas. É uma sensação inexplicável. Possuem um alcance tão popular que chegam a fazer parte da nossa evolução.

Não se trata de produtos descartáveis, como o sertanejo atual, funk ou quaisquer outras modas volúveis. Mas sim, as que percebemos que são experiências divinas e verdadeiras; como a música clássica, as baladas românticas internacionais, os tangos, os boleros e por aí vai. São tantas que se tornaria prolixo nomear aqui as que me despertam tal efeito. Faltaria espaço.

Algumas dos Beatles servem como exemplo. Assim como muitas do Roberto Carlos, para todos nós brasileiros. Pode ser as que eternizam relações. Afinal, todo casal possui uma música oficial.

E é espantoso como são inesquecíveis e atemporais. Por ter esse poder que essa arte é imbatível. Privilegiado é o artista que consegue a proeza de compor uma.

Dica: todas as sextas às 21h30min, na rádio Cruzeiro do Sul, muitas destas tocam no programa Cia da Noite. Sintonize e entenda o que quis dizer.

17 julho 2014

Não tenho religião, tenho ansiedade.


24 junho 2014

Rock independente: a coragem da Hearts Bleed Blue


A tecnologia surgiu para beneficiar o homem ou para deixa-lo mais acomodado, mas junto com a evolução dela alguns paradigmas são quebrados e ou enfraquecidos. Foi o que aconteceu com a indústria fonográfica. Aquele reino das grandes gravadoras de discos foi derrubado. Primeiro com aparição dos discos compactos (CDs), que fez com que a manufatura dos álbuns de vinil se tornasse espécie em extinção.

Depois a pirataria física, e mais recentemente a incontrolável proliferação da música digital. Isso faliu o império do negócio da música, depauperou as mágicas lojas de discos e empobreceu ainda mais os músicos.

Nos tempos atuais, para a maioria, é impensável comprar CDs e muito menos LPs dos seus artistas preferidos. Basta baixarem da internet, aonde se acha quase tudo. Esta, uma grande aliada para o conhecimento, mas não o fim. E sim um propulsor de valorização. Gostou? Vai lá e compra! Todos saem ganhando.

Porém, graças ao bom senso dos verdadeiros que veem a música - e principalmente o rock - como arte e não meramente objeto superficial, não deixam tudo isso morrer. O futuro da música em formato físico é cada vez mais voltado para o nicho dos colecionares. E ainda bem. São poucos, mas são os que realmente valorizam essa profissão árdua.

O cenário mudou. Já não é mais o único objetivo assinar com uma grande gravadora e atingir a massa. É fazer de forma autônoma. Se valer das mídias digitais, no tocante a divulgação e no contato direto com os fãs.  Com muita luta é possível chegar lá e ser reconhecido sem se escravizar e abrir mão dos seus princípios.

E é com essa ideologia de manter a música atraente que entra o selo HEARTS BLEED BLUE – HBB STORE.  Uma gravadora e loja virtual alternativa que veio para ajudar a comunidade criativa do rock nacional, e não deixá-lo na dormência do esquecimento.

Criada em São Paulo há pouco mais de três anos por Antonio Augusto, o objetivo do grupo é dar espaço, amparo e disseminar o trabalho das bandas de rock do nosso país. Em resumo, proporcionar cultura para os melomaníacos. O catálogo da HBB está crescendo e com muita qualidade.

É uma das gravadoras independentes mais ativas atualmente.  Além de apresentar bandas novas, reeditam trabalhos de grupos já consagrados do meio, como: RATOS DE PORÂO, BLIND PIGS, DANCE OF DAYS, ZUMBIS DO ESPAÇO, DEAD FISH; entre outros. Também publicam uma revista bimestral: a “Curto Circuito”. Tudo na raça.

Pra quem gosta de rock, e entende a música como arte honesta, vale a pena conhecer mais essa proposta. Há uma série muito interessante sobre os bastidores da empresa no canal Hearts Bleed Blue no You Tube. Confere lá também.


Loja Virtual: www.hbbstore.com

Antônio Augusto: o empreendedor por trás da HBB Records


Confira os primeiros episódios da série sobre a gravadora:




10 junho 2014

Dinheiro não traz felicidade, mas compra cerveja. (Juliana Kulman)

02 junho 2014

De La Tierra: metal feito com identidade


Quem sente encanto pelo Heavy Metal seguramente aprendeu a gostá-lo por instituições como o BLACK SABBATH, JUDAS PRIEST e IRON MAIDEN.  Passou por outros da espécie: de MOTORHEAD à METALLICA e SEPULTURA à PANTERA.  Ou até por sons mais brutais em bandas como DEATH e KRISIUN (orgulho dos metaleiros gaúchos).

Mas esse gênero sempre chegou até nós na língua inglesa. O Brasil teve um boom do estilo no final dos anos 1980 e começo dos 1990 com os sucessos de Sepultura e ANGRA além-mar. A maioria das bandas então queria cantar somente em inglês, com o sonho de estourarem no exterior. Com o passar dessas décadas o movimento foi se silenciando. Hoje a cena vem se fortalecendo no país com a ajuda da divulgação pelas mídias digitais. Existem promessas muito fortes nessa nova safra do metal tupiniquim, como JACKDEVIL, VIOLATOR, NERVOSA e SHADOWSIDE. Mas adivinhem! Ainda em inglês. São poucas as bandas de metal daqui que escrevem em português.

Então foi preciso que um grupo de músicos experientes surgisse para mostrar como se faz e como se valoriza a nossa língua portuguesa e a espanhola dos nossos vizinhos. Afinal, se o RAMMSTEIN faz sucesso mundial cantando em alemão, porque uma banda brasileira, argentina ou uruguaia não pode alcançar a fama com a sua língua nativa?

O quarteto DE LA TIERRA nasceu para abrir esse caminho. E tem tudo para conseguir. O grupo é um multiétnico formado por dois argentinos, um brasileiro e um com múltiplas nacionalidades; cubano, colombiano e americano.

Trata-se de um encontro de artistas de diferentes escolas. Do mais pesado ao mais pop. Os donos do projeto são: os argentinos Andrés Giménez (A.N.I.M.A.L), nos vocais e na guitarra rítmica; Sr. Flavio (LOS FABULOSOS CADILLACS), no baixo; o multicidadão Alex “El Animal” González (MANÁ), na bateria; e nosso Andreas Kisser (SEPULTURA), também nos vocais e na guitarra.

O projeto não foi invenção de um produtor caça-níquel de uma grande gravadora. São músicos que tem o prazer de simplesmente tocar e criar. Com uma proposta inovadora e oportuna: colocar em prática, em letras reflexivas, suas consonâncias sociais e culturais; suas raízes tão semelhantes.

De La Tierra apareceu para aproximar nós brasileiros e fronteiriços do Heavy Metal de uma forma mais palpável. Não é por mera forma estética que usam o portunhol nas músicas. É para entendermos melhor nosso território latino.

A sonoridade dispensa digressões. Metal forte em sua essência - sem aparatos tecnológicos -, criativo, e com um groove e riffs de bater cabeça.

 DE LA TIERRA

Álbuns de Estúdio:
De La Tierra (2014, Roadrunner Records)

Singles:
Maldita Historia
San Asesino

Site:
http://delatierramusic.com/


19 maio 2014

Savages: a selvageria em preto e branco


As sensações ao ouvir a banda londrina SAVAGES são várias e complexas ao mesmo tempo. Variam entre satisfação, esperança, energia, introspecção e êxtase.

Reúne todas as características de uma arte sonora que fascina quem gosta do bom e velho rock and roll feito com vigor e dedicação. Personalidade musical agressiva, minimalista, lúgubre, imagem icônica, temáticas cruas e atuação hipnotizante.

Música potente e simples. Direta ao ponto. Sem firulas. Uma fusão de Joy Division, Dead Kennedys, Siousxie and The Banshees, e em raros momentos, Queens Of The Stone Age. E muito mais sentimento ao invés da técnica vazia. No fim das contas, isso é o que importa.

Os atributos são muitos e mesclados. Uma completude instrumental sólida surpreendente. Guitarras dissonantes que cortam alma; baixo audível e latente; bateria que beira ao militar; e a voz desesperada, suave e gritante no ponto certo. Não se pode tirar nada dali que o monstro se desmorona.

Em apenas três anos de atividade já fizeram um estrago no mainstream. Parece que dedicaram parte de suas vidas somente se alimentando do melhor do punk, do pós-punk, e de uma arte vanguardista; para no momento certo, com acuidade, estourarem a bomba. O palco é o lugar de batalha das Savages. Uma banda literalmente do “ao vivo”. As quatro dão o sangue ao tocarem. Como se a Terra fosse explodir ao final da última nota.

São nessas faíscas de genialidade, como as cabeças dessas quatro mulheres, que nos faz sentirmos orgulho de viver para e pela música. E que isso, ao contrario do que muitos acham, não é tempo perdido. O rock está muito vivo e imperioso.

“Silence Yourself” é transgressor e Savages é o que tem de mais requintado no rock atual. Não há muito que dizer e sim muito que sentir.  

SAVAGES

Origem: Londres, Inglaterra
Gênero: Punk, Pós-Punk, Noise Rock
Membros:  Jehnny Beth - vocais
                  Gemma Thompson - guitarra
                  Ayse Hassan - baixo
                  Fay Milton - bateria
Discografia: Silence Yourself (2013)
Site: savagesband.com


07 maio 2014

Rock Gaúcho: Bandas novas que valem a pena - Hangovers


O grunge foi o último abalo criativo e interessante que o rock nos proporcionou. Hoje, existem poucas bandas que nos transportam para aquela tenacidade juvenil e enérgica dos noventa. O maior exemplo desse cultivo sonoro aqui no "país da copa" é o quarteto gaúcho HANGOVERS.

Pesado, direto e sem frescura. A Hangovers é a banda que a cena da cinzenta Seattle não teve.  Calcada nas características punks garageiras das guitarras sujas e distorcidas, o barulho é um bom soco no ouvido. São quatro guitarras e uma bateria que fazem um som de pura pujança. Daqueles impossíveis de não balançar a cabeça. Uma parede de riffs no modo Mudhoney, Melvins, Nirvana, TAD, Helmet e Kyuss, de se fazer música.

Os responsáveis pela desordem é a ótima dupla já conhecida do rock gaúcho, o guitarrista Andrio Maquenzi (ex-Superguidis, Medialunas) e a talentosa baterista Liege Milk (Medialunas, Lommer); acompanhados de mais duas guitarras: Theo Portalet e Gabriel Lixo. Nada de vocal e harmonia de contrabaixo. E agora, já imaginou a densidade da coisa?

Na ativa desde 2010, o grupo lançou três EPs até agora: Bebendo Socialmente (2011), Academia Brasileira de Tretas (2011) e Hanga In The Sky With Breads (2013). Outro aspecto que agrega simpatia e irreverência à banda são os títulos das músicas. Engraçados como: “Chico Bento Vai Ter sua Vingança em Seattle”, “Eis-me a Transpirar tal qual um Suíno”, “Cheiro de Lentilha Queimada”, “Medo e Delírio em Canoas” e “Ode a Beto Jamaica”.

Em tão pouco tempo de trabalho já conquistaram a recomendação das revistas Rolling Stones Brasil e Billboard Brasil. Além de participarem ativamente de festivais independentes do sul do país, fizeram shows em cidades do interior de São Paulo e foram selecionados no maior festival de música instrumental do país - o PIB – Produto Instrumental Bruto.

Hangovers é a cultuação de um momento solene da música independente – o grunge -, mas com um frescor jovial de século 21. Está longe de nos trazer ressaca daquele período, mas sim saudade daquela época intensa da música.

Pra quem gosta vale muito a pena.


Veja os outros vídeos da banda

Foto: Aline Venturi / Divulgação

24 abril 2014

Sina de canto e caminhos é interrompida

É com muito lamento que a cultura musical gaúcha perde mais um dos seus perpetuadores. Na madrugada de domingo de pascoa, João Darlan Bettanin (o Xiruzinho), nos deixou com apenas 48 anos em um desastre de carro, pelas bandas de São Francisco de Paula.

Músico e advogado, compositor, intérprete e violeiro; Xiruzinho era natural da cidade serrana de Esmeralda, mas sua alma de cantor vertia a Rio Grande como um todo em suas canções. Escolheu Caxias para viver e de lá, a partir de 1984, disseminar sua arte devotada às nossas tradições.

Há tempos recebi o seu álbum “Nos Bretes da Vida”, que traz interpretações suas para poesias do nosso poeta João Sampaio. Na época escutei poucas vezes, mas nessas raras vezes deram para sentir sua excelência e a honestidade do seu trabalho.

Xiruzinho conhecia nossa história. Apesar de nascer na serra, tinha uma forte paixão pelo missioneirismo e pela cultura fronteiriça. Possuía empatias sentimentais que o aproximavam da cultura missioneira. Sua voz de bugre, anasalada e de dicção clara combinavam com a temática. Enlevado por Noel Guarany, Xiruzinho mesclava e disseminava a cultura guaranítica e latino americana com coração e maestria, como poucos. Junto de Jorge Guedes são os interpretes definitivos da poesia universal de João Sampaio.

Gravou sete discos: Um Parelheiro que Tenho (1991); Gaúcho, Tempo e Memória (1997); Sem Fronteiras (2003); Nos Bretes da Vida (2008); Xiruzinho Canta o Poeta e Payador Don Arabi Rodrigues (2009); A Arte Real em Versos, Pajadas, Décimas, Sonetos e Poesias (Livro-CD, 2012) e Aquarelas do Amor (2013), este como João Darlan e com composições populares que pendem para o sertanejo.

Xiruzinho foi além do seu pago, explorou o pampa dos países do Prata, entendeu e sentiu a irmandade gaúcha e também a transformou em melodia. É mais um Xirú dos bons que se vai. Vai matear lá em cima junto do tronco de Noel, seu maior inspirador.

Cantou em muitos rodeios e festivais nativistas, quem vivia nesse meio sentiu mais sua presença.
Foto: Roni Rigon/Agencia RBS


23 abril 2014

Todo mundo tem um sósia




                                       Alex Van Halen                                   Charles Bukowski


                                                  Gustavo Cerati       Mumu (Vera Loca)

03 abril 2014

Tributo à Los Iracundos no Clube Comercial

A noite deste sábado, 5 de abril, é de relembrar os sucessos da cinquentenária e mais popular banda uruguaia que se tem notícia: Los Iracundos.

Formada em 1958 em Paysandu, inicialmente como Los Blue Kings, pelos irmãos Franco (Eduardo – vocalista e compositor; e Leonardo – guitarrista), durante três décadas os Iracundos dominaram o seu país e construíram fama internacional com suas baladas românticas a lá Jovem Guarda.

Na ocasião serão interpretados grandes sucessos, como: Agua con Amor, Chiquilina, El Juguete, Hace Frío Ya, La Lluvia Terminó, Lisa de los Ojos Azules, Marionetas del Cartón, Porque no Vale la Pena, Puerto Montt (considerada a canção de maior êxito do grupo), Si Lloras por Mí, Te lo Pido de Rodillas, Va Cayendo una Lágrima, Y la Lluvia Caerá, Y me Quedé en el Bar, Venite Volando, entre outras pérolas do vasto repertório dos platinos, que conta com mais de 30 discos gravados - entre inéditas e compilações.

A noite será uma verdadeira ode ao passado. A celebração de uma era marcante da música latina. Além de prestarem tributo ao Los Iracundos, serão tocados sucessos dos chilenos Los Galos e Los Angeles Negros; e também do argentino Leonardo Favio. O conjunto The Luck Boys seguirá o baile.

O concerto homenagem está marcado para as 23h e a entrada custará 20 reais.





O encontro do palhaço com a música chega a Itaqui


Os músicos palhaços da porto-alegrense Bandinha Di Dá Dó se apresentam hoje no teatro Prezewodowski, em duas sessões: às 15h30min e às 20h. A entrada é gratuita.

O evento é uma parceria do Setor Municipal da Cultura e os Amigos da Cultura. A apresentação faz parte da "Circula Tchê Tour!", turnê da Bandinha Di Dá Dó, que passa por sete cidades do RS: Pelotas (2), Bagé (3), Itaqui (4), São Borja (5), Passo Fundo (6), Mostardas (11) e Rio Grande (12).

Este plano de circulação foi aprovado em edital e é financiado pela Secretária da Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Conta com o apoio da Prefeitura de Itaqui, Prefeitura de São Borja, Casa Fora do Eixo de Pelotas e Atelier Coletivo de Bagé, e dos demais produtores locais das cidades roteirizadas.

A trupe começou sua jornada na capital em 2005 e já teve em sua formação um itaquiense, o músico Ed Lannes. Atualmente a banda é formada por Mauro Bruzza (acordeom e vocal), Thiago Ritter (baixo), Gabriel Grillo (guitarra) e Paulo Zé Barcellos (bateria). Artistas com experiência em trilhas sonoras para teatro e circo.

Com uma proposta de unir música e teatro para divertir - uma espécie de doutores da alegria da música – os palhaços Cotoco, Teimoso Teimosia, Invisível e Zé Docinho conquistaram uma atenção sólida no Estado e já se apresentaram na Europa. Em 2012 lançaram o primeiro registro autoral em CD, chamado “It's a Clown Music! Bandinha Di Dá Dó e Muito Mais...”.

A sonoridade do quarteto é uma mescla de world music, música cigana e rock and roll, e possuem diversas influencias, como: Gogol Bordello, Goran Bregovic, La Rue Kétanou e Municipale Balcânica.


O objetivo da Bandinha é levar o humor para as pessoas de todas as faixas etárias, em locais fechados ou nas ruas.